"Inventores
do trio elétrico, os baianos Dodô (Adolfo Nascimento)
e Osmar Macedo conheceram-se em um programa de rádio em 1938.
Os dois estudavam música e eletrônica e pesquisavam
uma forma de amplificar o som dos instrumentos de corda. A amplificação
aconteceu dez anos depois, e no carnaval de 1950 a dupla saiu em
cima de um Ford 49 tocando em instrumentos adaptados, as músicas
da Academia de Frevo do Recife, que se apresentava na ocasião
em Salvador.
Em
um ano fizeram aperfeiçoamentos e incluíram mais um
membro, Temístocles Aragão, formando assim o TRIO
Elétrico, em 1951.
No
ano seguinte, uma empresa de refrigerantes percebeu o enorme sucesso
do trio e colocou um caminhão decorado à disposição
dos músicos, inaugurando o formato consagrado por todos os
carnavais até hoje.
CRONOLOGIA
....
Década
de 30
Existia em Salvador
um conjunto musical, criado por Dorival Caymmi, que animava algumas
festas e reuniões de fim de semana, e que se apresentava
nas estações de rádio. Começava, então,
a fazer sucesso na Bahia o grupo Três e Meio, cujos integrantes
eram o próprio Caymmi, Alberto Costa, Zezinho Rodrigues e
Adolfo Nascimento – o Dodô. Em 1938, com a saída
de Caymmi, o grupo reestruturou-se e passou a contar com sete componentes,
incluindo Osmar Macêdo.
1942
Em apresentação na cidade de Salvador, o violonista
clássico Benedito Chaves (RJ) mostrou pela primeira vez ao
público local um "violão eletrizado". Dodô
e Osmar, ávidos em conhecer tal instrumento, foram assistir
ao show no cine Guarani e ficaram extremamente entusiasmados. Embora
fosse um violão comum, importado e com um captador inserido
à sua boca, o instrumento era muito primitivo e possuía
microfonia. Dodô, porém, incansável na busca
da superação deste problema, construiu em poucos dias
um violão igualzinho ao de Benedito Chaves para ele, e um
cavaquinho para Osmar. Apesar da microfonia persistir, os dois uniram-se
mais uma vez para formar a "Dupla Elétrica" e começaram
a se apresentar em diversos lugares.
Num
determinado dia, Dodô resolveu esticar uma corda de violão
sobre a sua bancada de trabalho e prendê-la nas extremidades;
sob a corda, colocou um microfone preso à bancada. Quando a
dupla ligou o microfone, algo inacreditável aconteceu um som
limpo, que parecia até o de um sino. Estava, então,
descoberto o princípio e logo foi possível perceber
que o "cêpo maciço" evitava o fenômeno
da microfonia – e assim, com o nome de pau elétrico,
nasceu a guitarra baiana.
1943/49
A dupla elétrica passou, então, a tocar em clubes, festas
e bailes, com seus próprios instrumentos.
1951
Na quarta-feira anterior ao Carnaval, o famoso "Clube Carnavalesco
Vassourinhas do Recife", com 150 componentes, apresentou-se em
Salvador com metais, alguma madeira e pouca percussão.

1951
A dupla resolveu convidar o amigo e músico Temístocles
Aragão para formar o que se chamaria de trio elétrico.
O nome foi ganhando fama, fazendo com que, nos anos seguintes, as
pessoas ouvissem o som eletrizante e dissessem: "Lá vem
o trio elétrico".
1952
A fábrica de refrigerantes "Fratelli Vita" decidiu
patrocinar o trio elétrico de Dodô e Osmar e a dupla
abandonou a velha fobica e passou para um veículo grande, colocando
nele oito alto-falantes, corrente elétrica de geradores e iluminação
com lâmpadas fluorescentes. O patrocínio permaneceu até
1957 – época em que o trio elétrico de Dodô
e Osmar apresentava-se nas ruas centrais de Salvador e animava carnavais
fora de época no interior do Estado.

1953/58
Surgiram, então, novos trios elétricos tocando em cima
de caminhonetes como o Ypiranga, Cinco Irmãos, Conjunto Atlas,
Jacaré (posteriormente chamado de Saborosa) e o Paturi ( Feira
de Santana/BA.)

1956
Surge o conjunto musical Tapajós (montado em uma caminhonete),
primeiro seguidor e grande responsável pelo fato do trio elétrico,
como estrutura física, ter se mantido e se expandido como fenômeno
carnavalesco.
1957
O trio elétrico Tapajós anima o Carnaval no Subúrbio
Ferroviário.
1958
O trio elétrico Dodô e Osmar ganhou o patrocínio
da Prefeitura Municipal de Salvador.
1959
A convite do governador de Pernambuco, o Trio Elétrico de Dodô
e Osmar saiu pela primeira vez da Bahia para tocar no Carnaval de
Recife, sob o patrocínio da "Coca-Cola".

1960
O trio elétrico Tapajós compra de Dodô e Osmar
uma de suas carrocerias.
1961
O trio elétrico de Dodô e Osmar deixou de participar
do Carnaval em virtude da morte do sogro de Osmar, Armando Costa,
maior incentivador do grupo. O Tapajós firmou o primeiro contrato
comercial com a Coca-Cola para animar as micaretas das cidades de
Feira de Santana, Pojuca, Catu e Alagoinhas.
1962
O Carnaval não teve mais uma vez a participação
do trio de Dodô e Osmar; por outro lado, assistiu à estréia
do Tapajós, desfilando pelas ruas centrais da Cidade.
1963
Com o patrocínio da Refinaria Mataripe, o trio de Dodô
e Osmar voltou a participar do Carnaval de Salvador: era um carro
alegórico, montado sobre uma carreta. Armandinho, com apenas
nove anos de idade, já era o solista do trio.
No
concurso de trios elétricos promovido pela Prefeitura, o vencedor
foi o trio Tapajós, com uma nova carroceria totalmente metálica.
1964
Osmar resolveu construir uma miniatura de trio elétrico em
uma pick-up Ford F-1000. A engenhoca era destinada a seus filhos e
aos filhos de Dodô, os quais tinham todos no máximo 12
anos.
O
trio elétrico Tapajós animou o Carnaval de Recife (PE)
sob o patrocínio da Coca-Cola e do Departamento de Turismo
do Recife.
1965
O mini-trio de Armadinho e Betinho voltou a comandar o Carnaval de
Salvador. O trio elétrico Tapajós consagra-se campeão.
1966
O trio elétrico Tapajós foi aclamado bi-campeão.
1967
O Tapajós consagrou-se tricampeão do Carnaval de Salvador,
em concurso promovido pela Prefeitura.
1969
Caetano Veloso lançou a música "Atrás do
Trio Elétrico Só Não Vai Quem Já Morreu".
O trio Tapajós lançou no mercado fonográfico
o primeiro disco gravado por um trio elétrico e foi ao Rio
de Janeiro para reforçar o lançamento nacional da música.
Em uma semana, a canção passou do sétimo para
o segundo lugar nas paradas de sucesso e foi apresentada no programa
televisivo "A Grande Chance".
1972
Um histórico encontro na Praça Castro Alves ocorreu
entre Osmar – que tocava no trio elétrico Caetanave -
e Armandinho, que se apresentava em cima do trio Saborosa, fazendo
o "Desafilho".
O
Tapajós homenageou Caetano Veloso, pela sua volta do exílio
em Londres, com o lançamento da "Caetanave",um trio
com linhas arquitetônicas arrojadas, uma verdadeira obra de
arte que, que com a devida proporção dos tempos, até
hoje não foi superada. Nas ruas, o público pôde
apreciar os baianos Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa em cima
do trio.
Surge
o trio elétrico Marajós.
1973
O trio Tapajós animou o Carnaval da cidade de Curitiba.
1974
Depois de uma longa ausência, a dupla Dodô e Osmar retornou
ao Carnaval com uma nova formação – "Trio
Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar". Na ocasião,
eles gravaram um disco sob o título "Jubileu de Prata",
em comemoração aos 25 anos de criação
do trio.
O
Tapajós – que havia gravado seis LP´s e dois compactos
- foi animar o Carnaval de Belo Horizonte.
1975
Após sua estréia em 1950, a fobica voltou às
ruas para comemorar o Jubileu de Prata do trio elétrico. Uma
grande festa foi organizada para homenagear seus inventores, incluindo
um desfile de vários trios elétricos puxados por Dodô
e Osmar. Especialmente montados e decorados para a parada, os trios
saíram do Campo Grande e chegaram até a Praça
Castro Alves, onde executaram em conjunto o "Parabéns
a Você". Em seguida, a dupla recebeu o troféu comemorativo
ao jubileu pela criação da "máquina de gerar
alegria".
Em
apoteóticas homenagens, a famosa dupla Dodô e Osmar despediu-se
instrumentalmente do Carnaval.
A empresa Souza Cruz contratou dois trios da Tapajós para a
cidade do Rio de Janeiro.
1976
O Tapajós animou os carnavais de Salvador, Belo Horizonte e
Santos.
Surgiu,
então, a empresa Tapajós Promoções Artísticas
e Publicidade Ltda.
Durante
show na Concha Acústica de Salvador, Armandinho lançou
mais uma engenhoca de autoria de Dodô: uma guitarra de dois
braços, batizada de Dodô e Osmar.
Surgiu
pela primeira vez nas ruas de Salvador o trio elétrico dos
Novos Baianos,equipamento que causou uma verdadeira revolução
no cenário musical. A sonorização do trio mudava
completamente, saindo dos tradicionais amplificadores de vávulas
e das cornetas Sedam para caixas acústicas, twiters e cornetas
Snak. A linguagem musical também sofreu mudanças, com
os Novos Baianos cantando músicas do repertório popular.
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Betânia reuniram-se
e batizaram o grupo com o nome de "Os Doces Bárbaros".
1977
O trio elétrico Tapajós animou também o Carnaval
em Brasília.
Através
do lançamento da música "Pombo Correio", o
trio elétrico Dodô e Osmar foi especialmente decorado
com uma gigantesca ave branca afixada na proa do veículo, que
batia as asas ao ritmo do instrumental do trio.
1978
Morreu um dos pais do trio elétrico, Adolfo Nascimento, o Dodô.
Seu sepultamento foi acompanhado pelo trio Tapajós, envolto
numa enorme faixa preta em sinal de luto, executando a Ave Maria de
Gounot e a marcha fúnebre de Choppin, além do Hino ao
Senhor do Bonfim.
Neste
ano, aconteceu o casamento do som dos afoxés com o trio elétrico,
graças a Moraes Moreira e ao seu parceiro e poeta Antônio
Risério, com o lançamento da música "Assim
Pintou Moçambique".
1979
Três
carros-trios da empresa Tapajós foram contratados por entidades
carnavalescas de Salvador. Na festa comemorativa do tricampeonato
do Esporte Clube Flamengo, o trio Tapajós foi contratado para,
ao som de um frevo especialmente composto por Moraes Moreira, arrastar
uma verdadeira multidão de torcedores do Maracanã até
a Gávea, atravessando quase toda a cidade do Rio de Janeiro.
1980
O trio elétrico Traz os Montes - na verdade, equipamento de
uma entidade carnavalesca – desfilou pela primeira vez nas ruas
de Salvador. O Traz os Montes, por sinal, firmou-se como o trio que
mais introduziu as novidades técnicas no Carnaval, possuindo
um som extraordinariamente potente e de ótima qualidade e inovando
com toda a aparelhagem transistorizada.
Com
arranjo especial de Armandinho, a composição "Beleza
Pura", de Caetano Veloso, foi a música mais executada
por todos os trios elétricos.
A
cidade do Rio de Janeiro abriu suas festividades momescas com uma
batalha de confete em Madureira, cuja atração principal
era o trio elétrico Tapajós.
Na
cidade de Natal(RN), começou-se a observar a presença
de três trios elétricos no Carnaval, cujas construções
tinham como consultor Osmar Macêdo.
1981
O novo trio de Armandinho, Dodô e Osmar teve como tema a música
"Vassourinha Elétrica", que, em poucas semanas, tornou-se
sucesso de vendagem em todo o País.
O
trio elétrico Novos Baianos, comandado pela única cantora
de trio, Baby Consuelo. 1983
Um trio elétrico construído na Itália foi inaugurado
na Pizza Navona diante de 80 mil pessoas embaladas ao som da banda
de Armandinho, Dodô e Osmar trieletrizado o
"Império Romano".
1985
Um outro trio elétrico foi construído na França
para fazer o Carnaval em Toulouse.
1986
O trio elétrico Armandinho, Dodô e Osmar foi para a Copa
do Mundo do México e, na volta, foi à França
para percorrer várias cidades da Riviera Francesa, terminando
em Lion. O Trio Elétrico, com seu som antropofágico,
vai carnavalizando tudo. Desde os populares mais clássicos,
até os clássicos mais populares."
1988
Foi criado o trio elétrico Espacial, com palco giratório
e elevado automático.
1990
O trio elétrico completou 40 anos.
1992
Orlandinho, filho de Orlando Campos, resgatou o trio Caetanave e prestou
uma homenagem à seu pai, promovendo neste Carnaval o encontro
de gerações.
1997
O
outro pai do trio elétrico, Osmar Macêdo, faleceu e teve
seu sepultamento realizado com um cortejo de trios elétricos
passando na Praça Castro Alves.
1998
Foi inaugurado, na Praça Castro Alves, monumento em homenagem
à dupla Dodô e Osmar.
A
fobica voltou às ruas durante o Carnaval em homenagem a Osmar.
1999
O percussionista Carlinhos Brown retomou o projeto da Caetanave e
trouxe um novo equipamento para as ruas de Salvador.
2000
A fobica e seus idealizadores foram mais uma vez homenageados no ano
em que o trio elétrico completou 50 anos de existência.
....
E
assim segue até hoje, o Carnaval de Salvador ganhou o mundo,
tornando-se a maior festa popular do Planeta.

Fonte:
www.emtursa.ba.gov.br